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Blog para apresentação de textos e desenvolvimento de práticas relacionadas à produção, manipulação, seleção, gerenciamento e divulgação de trabalhos de confecção de textos dos alunos e alunas do Professor Dr. Erivelto Reis, mediador, orientador e coordenador das atividades desenvolvidas no Blog, que tem um caráter experimental. Esse Blog poderá conter textos em fase de confecção, em produção parcial, em processo de revisão e/ou postados por alunos em fase de adaptação à seleção de conteúdo ou produção de textos literários.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Perfil de Poeta 6 - Patrick Vieira Furtado


Perfil de Poeta 6 - Patrick Vieira Furtado



1. Quando começou a escrever poesia?

Bem pequeno. Passei por situações difíceis, perdi pessoas queridas muito cedo, estava tudo bem caótico para uma criança sem voz e que "não entendia nada da vida". A poesia foi e é a maneira que encontrei de chorar, gritar sem voz, lutar e descansar.


2. Quais são seus/suas poetas preferidos?
Mia Couto, Drummond, João Doederlein, Camões, Cecília Meireles, Salomão, Rei Davi, Zack Magiezi, Daniela Souzza, nossa rsrsrs se eu falar de todos vai virar um textão!



3. O que é Literatura pra você?

Refúgio.

4. Como é seu processo de escrita?

Há coisas que demoro a escrever. Eu penso, trabalho palavras e miro um alvo. Mas, confesso que algumas outras coisas me escapam da mente, da alma, dos olhos e quando vejo nem sou mais poeta, apenas palavras.

5. Pretende usar a poesia de maneira atuante em suas práticas como futura professor?

Com toda a certeza.




dedico a quem sente dores, a quem não tem medo de dizer que é  humano e precisa de ajuda. todos precisamos. só

Dói mais do que
Remói a dor que
outrora era nós
correndo pelos sonhos
buscando os tesouros
da vida que termina
eu sei que é uma mina
onde tem que se cavar
pra encontrar um bem
bem que eu queria
não ter que me dar ao trabalho
já que tudo vai ter fim
juntar tanta coisa e
ganhar os nãos querendo os sims
se eu pudesse eu iria a fins de
outros nas asas de meu amor
para além do horizonte
mas não suporto o peso
da dor

Eu escancarei todas
as portas que entrei
por fim eu me tranquei
do lado de fora de mim
e as vezes que eu tentei
sair pra fora dos meus
olhos vi a imensidão
que migrava rumo ao verão
lá eu sei que o sol não deixa
de brilhar mesmo se a noite
bater a porta e lá eu sou
alguém pra descansar sem
regras ou cores isso não importa
o calor me sustenta mais que
os meus vendavais nas ideias
amenas do que deixo para trás
fico a beira da eira pairando a
imensidão e a torrente das águas
dos meus marços desaguam de uma
só vez sem pedir perdão
eu me pergunto era ou foi
são?

As histórias más contadas
viram músicas tão cantadas
de inverdades e desverdades
pisando no que já foi chão
e a glória da verdade é que
não desdenha a idade já que
chega sem aviso prévio e sem
recomendação me fazendo pensar
que dois mais dois são cinco se eu tenho com quem dividir mas já que
não tenho minha conta da um solitário
viajante das terras por aí e as falácias
da gente eu guardei dentro da minha razão já que não cabem dentro do que era meu coração por isso eu paro aqui
sem medo clamando por favor
já não tem mais
dor



Como são as coisas

Patrick Furtado

Foi-se o tempo
em que eu não
me preocupava
se eu gritasse ou chorasse
alguém logo me trocava
não pedia nada
tudo era Eu
hoje se grito ou choro
logo apontam o dedo na minha cara
me dizem tantas palavras
que a vontade de crescer morreu
e no fim se digo que dói
me dizem que o problema é meu



A história de quem acha que o ego é a verdade da razão

Patrick Vieira Furtado

Viver de fotossíntese
Não dá
Até o ar é contaminado
Viver de amor
Não dá
Ele arde sem se ver e vou sair queimado
Viver de dinheiro
Não dá
As coisas que ele me dá são passageiras
Viver de você
Até da
Desde que seja da minha maneira
Não dá! — disse
Se me ama de verdade, finge que não existe
Fim.



Cansam

Patrick Vieira Furtado

Aqui é terra de ninguém
Sem dó nem piedade
Do que vale o céu estrelado?
As campinas floridas?
Se os bosquem padecem
Sem amor e sem vida?
O povo já não grita
Nem as margens da sociedade
As palmeiras derrubadas
Os sabiás emudecidos
Nossa terra tem trincheiras
Que escondem todo o frio
Se o verde é belíssimo
E as frutas suculentas
Ficamos sem teto e sem chão
Mas sem comida a gente não aguenta
O povo heróico do brado retumbante
Se enfurece por prestações
Daí os sabiás não mais gorjeiam
Deus me deixa a minguar pela morte
Cismado, sozinho sem sorte
Sem noite, sem dia, sem canções
Se um dia eu resolvo voltar
Que eu não me encontre em uma rua qualquer



Domingo

Patrick Vieira Furtado

Há muito para se dizer
O tempo que nos corre
dos dedos
se anseia nas dádivas
dos sonhos que afundei
no profundo do travesseiro
abro então os olhos
corro para a janela
vejo a multidão enfurecida
todos os sórdidos
os preambulos
as crianças iludidas
vendo os seus dias
irem pelo bueiro da rua



Perfil de Poeta 5 - Roberto Nunes

Perfil de Poeta 5 - Roberto Nunes




1. Quando começou a escrever poesia?

Comecei na adolescência, na verdade nem chamava de poesia, achava prepotente de minha parte usar a palavra “poesia” em meus escritos. Mas só durante a graduação, incentivado por geniais colegas de classe e grandes professores, que assumi minha “prepotência”.

2. Quais são seus/suas poetas preferidos?

Tenho forte admiração por dois sujeitos que conheci na faculdade, dois amigos: Patrick Furtado e Gustavo Ferreira, dois poetas excelentes. Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Paulo Leminski, William Blake são outros que admiro.

3. O que é Literatura pra você?

Literatura é uma reunião das sensações e sentimentos que o ser humano é capaz de ter, é emancipação, é libertador. Transformou-me em um novo homem. Imagine se para exercer um cargo eletivo, em um dos três poderes da república, fosse obrigatório ser formado em literaturas, Ah! Que mundo maravilhoso teríamos.

4. Como é seu processo de escrita?

Procuro escrever a chamada “Poesia social”, claro que não me limito nem me rotulo a nada, mas predomina em mim essa necessidade de uma escrita social, coletiva, contestadora, inquieta. O Brasil é uma fonte inspiradora excelente para a poesia critica social.

5. Pretende usar a poesia de maneira atuante em suas práticas como futuro professor?

Certamente, o mundo precisa de poesia. Da nossa poesia, da poesia que sai das escolas, das universidades, das favelas, das ruas. Essa poesia que está ai, pronta para ser lida e aplicada.



O conflito do ofício

Roberto Nunes

Diante do inesperado ócio
Angústia e solidão
A labuta escraviza
Não há opção
O Pão! Voltou ao lar
O menino não me acha
A moça abençoa meu sono
O lamento é só meu
Agradeço em voz alta

****

Quando II

Roberto Nunes
Quando olho para mim não me percebo

Quando II

Roberto Nunes.

Quando olho para mim não me percebo
dentro dessa alegria,
essa coisa "Normal"
de parar de dormir as cinco da manhã,
fazer a higiene mal feita
atracar-me com estranhos
na luta por um lugar para o corpo
que ainda dorme dentro do coletivo.

    Quando olho para mim não me percebo
 produzindo uma fortuna para uma única família
 e entregando tão pouco ao meu filho.

O estranhamento que percebo
tão bem, pesa em meus ombros
como uma angústia amiga.
Quando olho para mim, me
reconheço na loucura
de parar de dormir as cinco
da manhã somente para
debochar das horas e voltar
a sonhar.
Quando olho para mim, me
reconheço na coragem de criticar
quem me domina.

Quando olho para mim, me
reconheço no normal de
tratar todos iguais.
Quando olho para mim, me
reconheço no medo de cortar
o cordão que me obriga a
fingir ser bom.

 ****

Parto do desencanto
Roberto Nunes

Parto do desencanto
Flertando com a
Embriaguez
Pelo caminho.
Se eu não chegar
Apenas me veja nos
Rostos dos derrotados.
Leve um cão
para casa
E me encontre lá.
Lá, onde a embriaguez
É conquistada.
Onde a derrota
É aproveitada.
Onde o cão me
Festeja.
Lá, onde o desencanto
as vezes
Sou eu.

****
Sigo

Roberto Nunes

Sigo a fim de buscar
ausência,
deixar de existir quando
o copo estiver vazio.
Minha presença é de medo.
Me refugio
nu
numa ponta de
fumaça e pulmão.
A desordem média me
diz
aonde devo ficar.
Sigo avançando com
minhas mãos queimadas
de sangue,
meu rosto sujo de
pólvora
e a voz
embargada de cólera.


 ****
Selvageria normal

Roberto Nunes

Sinto-me parado, imóvel
preso a uma normalidade assombrosa.
Um oceano vermelho e denso
toca meu queixo,
e pareço caminhar em um
campo verdejante.
A lágrima da mãe que sofre
até me causa momentânea
comoção.
Só até o próximo gole de incapacidade
e aceitação.



terça-feira, 20 de novembro de 2018

Perfil de Poeta 4 - Gustavo Ferreira




PERFIL DE POETA- GUSTAVO FERREIRA




Quando começou a escrever poesia?
Após refletir sobre tal indagação usarei como resposta um trecho do livro, Sabedoria do Nunca, Juliano Garcia Pessanha. ‘’A poesia se converte em religião para aquele que chegou ao limite do despossuimento da fala. Quando o mundo vai se desvanecendo e indo embora’’
Quais são seus/suas poetas preferidos?
Roberto Piva, Murilo Mendes, Orides Fontela, Cecília Meireles, Alejandra Pizarnik.
O que é Literatura pra você?
Tábua de salvação.
Como é seu processo de escrita?
Vou começar com uma provocação. "A suposição de que inevitavelmente todo escritor escreve sobre si próprio e retrata a si mesmo em seus livros é uma dessas puerilidades que nos foi legada pelo Romantismo." Albert Camus - Núpcias, o Verão.


Voltando ao cerne da questão... Eu usei o automatismo psíquico para compor a tétrate poética que faz parte desse projeto.

Pretende usar a poesia de maneira atuante em suas práticas como futura professor?

Se a vida me outorgar este direito, sim. A literatura é a única saída. Heidegger já dizia que, quando um poeta olha um grão de areia,este perde sua insignificância, porque foi visto por alguém que sabe ver e enxergar. O poeta dá mobilidade ao mundo.







EPÍLOCALÍPTICO SUBURBANO N°2

     ‘’ eu sou uma alucinação na ponta de teus olhos ‘’
                                                    Roberto Piva


Equaciono as amígdalas
Do breu onde o trem
Se perdeu. Tantas línguas
Clamam por um Eu que

Não é o meu. O espectro
De Woodstock trafega por
Uma passarela feita dos

Cílios de Amy Winehouse, o
Ipê floresce no pulso de uma
Jovem, chove. Chove na

Inconsciência da paisagem,
Na alma de Luis Buñuel, na
Minha poesia, nos versos
De Noel.

Hoje cairá o ébrio céu.

INSONIOFÁGICO:02:08(STRAVINSKY,LOUIS MALLE,MAX ERNST,CHICO BUARQUE - ATÉ QUE O AR NO SANGUE DO POETA NAUFRAGUE)
Nas vísceras de um
Pesadelo decapitado
O cão corre entre
Os carros,

O mendigo
Tem o estômago
Ensolarado pelas
Dores de um parto

Prematuro...
Estou sentado no meio
Fio. Ensaio o meu rito
Profilático diante de

Um santo com o corpo
Flechado. Um gato
Lambe as feridas
Numa espécie de ato

Sacro, contemplo. Do
Outro lado da rua uma
Puta grita: Agora vemos
Por espelhos e em enigma.

O menino interpela a mãe:
- Mamãe, qual o nome da rosa?
- Não sei filho.
- Stravinsky, Louis Malle
Max Ernst, Chico Buarque?

- Até que o ar no sangue do
‎Poeta naufrague.
XXXXXX

‘’ É tudo um caos de coisas nenhumas. ’’
                             Fernando Pessoa

Asas
Asas
Luzes
Flores
De
Plástico
________
Necrose
Em
Maços
De
Cigarro
Excreções
Canções
Narcóticos
Atestado
De
Óbito
________
Puta
Que
Pariu
Caralho
A

O
Mundo
Corações
Mutilados

.
HOSPÍCIO DA FALA
Carnificina
De
Eros
.
Mormaço
Envenenado
Digredindo
Nos
Braços
D'água
.
A
Poética
Dos glóbulos
Vermelhos
Na aurora
Alcoolizada
.
Beijos
De
Faca
Stela
Do
Patrocínio
Ardendo
Na
Brasa.
-Hospício da fala-

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Perfil de Poeta 3 - Ana Carol - Diretamente de Portugal


1. Quando começou a escrever poesia? 
Eu nasci poeta. Mas só aos 9 anos de idade descobri que aquilo que eu fazia por paixão, inclusive quando escrevia, se chamava poesia. Então, considero essa a data inicial.

2. Quais são seus/suas poetas preferidos? 
Manoel de Barros, Viviane Mosé e Rupi Kaur

3. O que é Literatura pra você? 
É um transplante de força energética de uma pessoa para outra, através da escrita.

4. Como é seu processo de escrita? 
Estou começando agora a ter uma rotina mais regrada para escrita, mas com as poesias, eu sempre escrevi no momento em que viesse a inspiração. Muitas vezes tive que parar o que estava fazendo, correr para pegar papel e caneta pois as palavras insistiam em sair como uma forte enxurrada de sentimentos querendo vir à tona. É quase uma necessidade fisiológica.(risos)

5. Pretende usar a poesia de maneira atuante em suas práticas como futura professora? 
Não planejo nada, apenas procuro viver cada dia da melhor maneira possível e sim, a poesia sempre faz os meus dias serem melhores. Considero importante a sua atuação em tudo o que faço.



A inadequada

Existia uma menina
que a nada se adaptava,
desde pequenina
ela destoava.

Ser sempre diferente
muitas vezes a chateava.
Pra parecer com toda a gente,
de tudo experimentava.

Desde capa de adulto
a sapato de criança,
desde o livro mais culto
a discursos de esperança.
Tudo era para ela
uma oportunidade de tentar.
Vivia de sentinela
a espera de achar um lar.

Mas nada a completava
e quanto mais procurava
mais confusa ficava.
Quem sou eu?
Questionava.

Sabia que era forte
mas parecia tão frágil,
na calma tinha mais sorte
mas ela queria ser ágil
porque o mundo lhe dizia
que era preciso correr
e que na vida só vencia
quem na pressa tinha poder.

Há que se adaptar a pressão
e se adequar ao padrão.
Há que aceitar a convenção
e nem pense em dizer não!

Ela não entendia o porquê
mas a maioria aceitava.
Então, fazer o que?
Assim que o mundo funcionava.
E com esse pensamento
mais uma vez ela arriscava.
Engolia o descontentamento
e à guerra se alistava.
Era o certo a fazer,
o mundo lhe afirmava.
E mesmo sem compreender
ela se entregava.

Um dia ao regressar
de mais uma luta indesejada,
com lágrimas a rolar
e a alma toda quebrada,
ela olhou para as feridas
recém magoadas
e para as cicatrizes adquiridas
nas batalhas passadas
e resolveu dar um basta
e abandonar a arena,
tanta energia havia sido gasta
em algo que não valia a pena.

A menina resolveu aceitar
que não poderia se adaptar
e que não ser igual
não era assim tão mal.
Agora ela podia escolher
o seu próprio caminho
e passou a entender
que ela era seu próprio ninho.
Assim ganhou a liberdade
de voar quando bem quer
e a possibilidade
de saber quem ela é.

Dizem que atualmente
já não se sente envergonhada
em responder prontamente
quando é questionada,
afirmando sempre contente:
Eu sou a inadequada!

ACESSE O LINK DO VÍDEO A SEGUIR:



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Perfil de Poeta 2 - Suelen Domingos


Perfil de Poeta 2 - Suelen Domingos 


1. Quando começou a escrever poesia?
A primeira vez que escrevi poesia foi no ano 2000 nas oficinas de poesias as quais eu participava na escola.

2. Quais são seus/suas poetas preferidos?
Atualmente minha companheira de cabeceira é a Florbela Espanca.

3. O que é Literatura pra você?
A literatura pra mim é a própria vida.
É o que nos salva e nos liberta.
É transformadora para quem se entrega e um grande paradoxo para quem está de fora.

4. Como é seu processo de escrita?
É preciso que algo toque a minha alma. Algo que não seja possível dizer naquele momento. Algo que tenha a necessidade de ser organizado dentro de mim. Seja uma lembrança, uma vivência, a vivência do outro, um sonho, um filme, uma música... O movimento do mundo me inspira e quando esse ALGO em especial me toca é o bastante para eu escrever.

5. Pretende usar a poesia de maneira atuante em suas práticas como futura professora?
Quando a gente escolhe a poesia ou é escolhido pela poesia, ela se faz presente em todos os seguimentos da nossa vida. Como eu não imagino a minha vida sem poesia, também é impossível imaginar as minhas aulas sem poesia. Atualmente, trabalhando na educação infantil, vez ou outra escolho um tema da vivência das crianças e construímos poesia juntos nos momentos de atividades livres. Acredito que não seja fácil se separar da poesia e nem tenho essa pretensão.
A poesia pode salvar vidas, mas ainda é muito subestimada.




Um grãozinho de alguma coisa
Suelen Domingos

O que eu sou?
Eu sou um grãozinho de alguma coisa
Em algum lugar.
Eu sou uma confusão jeitosinha
Mas, difícil de arrumar.
Sou um eterno sonho,
Eu não consigo acordar.
Sou tão minha
E tão tua,
E dele,
E dela...
Esse é o meu problema.
Sou a que vai
E quando vê, já foi.
Que chora,
Que recita.
Sou a que insiste
No que faz o coração vibrar.
Mas, que desiste
De tudo e todos
Que sejam capaz de me apagar.
Sou dos contos e dos contatos,
Dos abraços,
Dos amassos,
Dos beijinhos e dos beijaços.
E no mundo...
Tô sozinha.
Tô na tua.
Tô na minha.
Quando rasa, sou profunda.
Acredito no poder do amor
E que só ele cura.
Toc Toc.
Quem é?
Sou eu, me toque.
Se toque.
E me colhe,
Pois, eu era um grãozinho de alguma coisa
E ainda agora...
floresci.




Meu convento
Suelen Domingos

Minha clausura.
Na penumbra de minh'alma
Me converti a mim.
Nada de fora passa.

Não entra.
Nem me ameaça.
Só tu.
Que me viu
E achou graça.
E sou
Tão cheia de graça.
E tu,
Personificação da desgraça.
Adentrou sem alarde.
Fez tua minha cela.
Me doem os joelhos.
Depois de tanta reza.
Encontro um risinho de satisfação
No teu rosto faceiro.
Serviu-se dos meus doces.
E agora lambe os beiços.
Vai!
E talvez pra nunca mais.
Meu convento,
Minhas regras.
Se foi,
E deixou as portas abertas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Perfil de poeta 1: Isabela Cordeiro

ISABELA CORDEIRO - PROFESSORA E POETA








1. Quando começou a escrever poesia? Em 2015, quando estava no segundo ano do Ensino Médio.   2. Quais são seus/suas poetas preferidos? Fernando Pessoa e Mario Benedetti. 3. O que é Literatura pra vc? Definiria com todos os clichês já conhecidos; porém, como acredito que a vida é um enorme clichê, literatura, para mim, é a representação da vida. 4. Como é seu processo de escrita? Tenho dois processos bem parecidos. O primeiro é de inspiração imediata, quando o poema surge em meio aos pensamentos e apenas tenho o trabalho de anotá-lo. O segundo é quando penso, ouço ou leio algo que me inspira, mas não consigo formular algo concreto. Nesse caso, eu anoto a ideia até que o poema surja. Não costumo pensar muito nos versos, eles apenas vem. 5. Pretende usar a poesia de maneira atuante em suas práticas como futura professora? Com certeza, não acho que poderia fazer diferente. É algo natural.



A boa mentira Isabela Cordeiro
"O sol é para todos" me disseram uma vez "Todos têm direito à felicidade" É verdade, mas não me diga isso. Meu sol não brilha e a felicidade não me conhece. Serei eu indigno de tal direito? Talvez veja o mundo da forma errada. Ou da única forma verdadeira. Não sei, não existe resposta. Apenas sei o que sei. Nem todos podem ser felizes. Nem todos podem sorrir sinceramente. Eu, pelo menos, não posso.


Chega Isabela Cordeiro
Não, eu não mereço isso Pagar um crime não cometido Sofrer um amor mal resolvido Chorar um fim não decidido Eu não mereço isso Lutar uma guerra não declarada Desistir sem estar fracassada Emudecer sem ter dito nada Eu não mereço isso Talvez, até mereça, mas não quero.


Alessandra Mazeliah, escreve belo poema a respeito da obra Dom Casmurro e dá voz à personagem Capitu.

Não errei
Alessandra Mazeliah

Ao olhar-me no espelho e perceber que o tempo passa depressa Reflito sobre minha vida e concluo que te amei Sim, eu te amei Foi amor de menina, moça e mulher Foi amor de total entrega Mas hoje sofro Sofro tua ausência, tua desconfiança Preferi me calar, não dá para lutar contra sua teimosia, sua verdade Justo eu que sempre me desvencilhei tão bem dos problemas, vejo-me agora calada pois nunca pensei ter que explicar o que não tem explicação. Meus olhos de ressaca pelos quais você se apaixonou Hoje tornaram-se o ponto inicial da tua desconfiança Meu olhar que sempre foi teu... Aliás, tudo em mim sempre foi teu! Dei-te meu amor, meu corpo, minha vida Esperei por você e com você fui feliz Mas, sua verdade nos afastou... Como resposta ao amor que sempre lhe devotei, deste-me o exílio Como é difícil escrever estas palavras! Apenas esta vez e nestas linhas direi a minha verdade! Poderíamos terminar essa história de uma forma linda,mas já que não deu Deixo-te meu adeus Sua Capitolina




Letícia Persiles - Atriz - Interpretou a personagem Capitu em uma minissérie.


 --- (...) Deixe ver os olhos Capitu.         Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua, dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiado neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...         Retórica dos namorados, dá-me uma comparação clique aqui exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, em quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e energético, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. (...)                                                     Machado de Assis, Dom Casmurro.