Poesia Afrodiaspórica Musicada -
Volume 1 -
Produzido por Erivelto Reis
Publicado originalmente em 15 de jun. de 2026
Poesia Afrodiaspórica Musicada -
Volume 01 - Produzido por Erivelto [junho/2026] -
Poesias Africanas em Língua Portuguesa
[Edição em homenagem a Mia Couto e à Dina Salústio]
Em memória da poeta Conceição Lima (São Tomé e Príncipe)
(Projeto educacional - audiolivro - sem fins lucrativos)
Poemas de autores/as de países africanos em que o português é uma língua de referência histórica e cultural musicados com recursos de IA, visando à formação de público leitor. [Jun. 2026/Audiolivro].
Projeto Euterpe, Erato & Erivelto Reis.
Idealização, Repertório e Produção: Erivelto Reis
SOBRE ESSE ÁLBUM
A partir da fundamental antologia organizada por Lívia Apa, Arlindo Barbeitos e Maria Alexandre Dáskalos - POESIA AFRICANA EM LÍNGUA PORTUGUESA - publicada pela Nova Fronteira/ABL (2012), selecionei alguns poemas cujos arranjos produzi, baseados em ritmos e sonoridades de países africanos em confluência com o outros ritmos, pois nos interessa o reconhecimento e o diálogo na formação de público leitor e o uso da linguagem como ferramenta de apoio aos/às professores/as no Ensino Médio. A capa do vídeo deste volume do projeto traz o já conhecido símbolo do toca-discos. O vinil traz uma mandala, o próprio toca-discos traz elementos pictóricos e a biblioteca convida se apresenta como espaço de integração entre a natureza, a identidade negra, a leitura e o diálogo. Fica o convite para que leiam a antologia, e, principalmente os autores e autoras africanos que escreveram em Língua Portuguesa.
SOBRE A IDEIA DE "POESIA AFRODIASPÓRICA" NO TÍTULO DO ÁLBUM
Não se trata de um gênero específico de poesia, mas de uma postura diante da arte em contextos sociohistóricos a ser apresentados, problematizados e compreendidos em perspectiva decolonial. Leia-se um trecho da apresentação produzida pelo professor Petrônio Domingues, da Universidade Federal de Sergipe, para o volume dois do livro/e-book "Pensamento afrodiaspórico em perspectiva: abordagens no campo da história e literatura" (2021), organizado por Fernanda Miranda e Marcelo de Assunção:
"[...] Diáspora, portanto, é um termo que sugere redes de relações reais ou
imaginadas entre povos desarraigados cuja experiências são marcadas por diversos contatos e comunicações que incluem viagens, famílias, negócios, ideias, culturas, retóricas, sonhos, entre outros artefatos tangíveis e simbólicos. Ao conectar os grupos dispersos em e entre diferentes regiões e/ou nações, a diáspora revela sua vocação às formas transnacionais. Isto significa que ela não subverte, necessariamente, o Estado-nação, mas o heterogeneíza. Nesse sentido, sua relação com as inscrições e normas do Estado-nação e as formações identitárias nativistas é caracterizada por tensões e ambiguidades. A condição diaspórica, portanto, nomeia um entre-lugar definido por desterritorialização e reterritorialização, bem como pela tácita tensão entre a vida aqui e a memória e o anseio pelo acolá.
As pessoas que passam pela experiência diaspórica compartilham uma dupla se não múltipla consciência e perspectiva, plasmadas por um diálogo e negociação entre várias tradições e maneiras de ser, pensar e agir. Essas pessoas comungam de culturas, histórias e identidades que ressignificam constantemente. São tradutores culturais cujas conexões descentradas e multilocalizadas minam limites estáveis e fixos, que reescrevem o passado costumes em comum num processo de reelaboração contínua; um recontar que implode autenticidades e problematiza discursos vernaculares sob o selo da tradição. [...]" (Pretrônio Domingues, 2021).
SOBRE CONCEIÇÃO LIMA
Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários. Mais tarde, estudou jornalismo em Portugal e obteve a Licenciatura em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres, cidade onde obteve também o Mestrado em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS). Em São Tomé e Príncipe Conceição exerceu cargos de direção na Rádio, Televisão e, na imprensa escrita, fundou, em 1993, o agora extinto semanário independente O País Hoje, de que foi diretora. Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países. De entre as suas obras mais conhecidas, destaque para A dolorosa raiz do Micondó; O Mundo visto do meio; Quando os Cães deixam de falar.
Conceição Lima faleceu em 15 de maio de 2026.
