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Blog para apresentação de textos e desenvolvimento de práticas relacionadas à produção, manipulação, seleção, gerenciamento e divulgação de trabalhos de confecção de textos dos alunos e alunas do Professor Dr. Erivelto Reis, mediador, orientador e coordenador das atividades desenvolvidas no Blog, que tem um caráter experimental. Esse Blog poderá conter textos em fase de confecção, em produção parcial, em processo de revisão e/ou postados por alunos em fase de adaptação à seleção de conteúdo ou produção de textos literários.

terça-feira, 26 de março de 2019

Nathalye Duarte escreve dois belos poemas sobre saudade e sobre o que somos

Nathalye Duarte escreve dois belos poemas sobre saudade e sobre o que somos

[A SAUDADE]
Nathalye Duarte

"A saudade vive ali,
dentro da gente,
como um objeto na prateleira
que olhamos
todo dia ao passar por ela.
Mas tem dias
em que eu me pergunto
o por quê
de tantas prateleiras
com objetos iguais?"



Nathalye Duarte,
Letras Português/Espanhol
6° período


[Somos folhas soltas]
Nathalye Duarte


"Somos folhas soltas dos galhos que não aguentam o peso e pendem Caímos no chão com um estrondo que não produz nenhum som O barulho que os outros escutam, é o vento que faz... é a dança da poeira que leva e traz Somos um sorriso entre dois que há muito não se viam, a falta de alguém e a presença também Um gesto impensado, um abraço apertado ou até um beijo roubado A surpresa da notícia inesperada o anseio pelo momento da chegada."


Nathalye Duarte,
Letras Português/Espanhol
6° período

quarta-feira, 20 de março de 2019

Sobre nossas escolhas e nossas escolas - Erivelto Reis


Sobre nossas escolhas e nossas escolas 

 Erivelto Reis


Uma escola, uma instituição de ensino superior em que o individual particular determine a prática, independente dos resultados ou dos teóricos que levantem questões de métodos e fins; coadunando-se a finalidades e resultados deturpados ou mascarados em face de objetivos protocolares, não verificáveis na prática, na formação e na qualidade da formação de crianças, jovens e adultos em todas as etapas da educação, têm sido uma tônica de nossos tempos. O grande público, a massa percebe - embora nem sempre questione ou discorde de tal processo - a ideia da aprovação automática, por exemplo, como resultado perverso desse processo.
A elite o aplaude, porque amplia o abismo entre os mais pobres e os mais ricos, irônica e cruelmente, exatamente no espaço que deveria servir para atenuar e/ou extinguir as diferenças nas potencialidades sociais, econômicas e culturais: a escola. No entanto, o professor contrário a interesses escusos, acaba por perder o domínio ou sofrer restrição sobre o conteúdo e as metodologias que lhes sejam próprias, em detrimento do comportamento obscenamente amoral do mercado privado, ou sofre com a manipulação que pretenda produzir resultados que saciem a burocracia das políticas educacionais públicas superficiais e inócuas, que inflacionam as práticas, distorcem as filosofias que condenem tais práticas, convertendo seus estudos e sua práxis em vilões ideológicos, subversivos que aparelham uma parte do sistema entendida como oposicionista.
Os mercados lucram astronomicamente com o posicionamento que faz - na esfera particular - da educação um negócio e, na esfera pública, da educação uma despesa jamais locupletada. Este aspecto desacredita e desmobiliza a educação, menospreza e inferioriza, aos olhos da opinião pública o fazer do professor e sua profissão como promotora da cidadania e da democracia.
O empresário faz da educação um títere manipulado para servir ao lucro, convertendo-a em grife e aos professores em serviçais que alimentam e produzem apenas para mantê-la enquanto grife e agregar valor cujo resultado nem sempre é humanizador e cujos lucros econômicos, quase nunca e/ou de maneira ínfima lhe podem ser distribuídos.
Aos que detém o poder público política de educação se faz de cifras, corrupção, compadrios e desumanização da massa populacional que se serve de uma educação, que sobrevive e ainda produz resultados pela resistência, qualidade e ética dos profissionais que atuam, em face do distanciamento, da incapacidade técnica e da insensibilidade dos gestores públicos da pasta, com raríssimas e honrosas exceções.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Homenagem a Cícero César, ou: a Arte de viver com Arte!

























"Ao passar dos anos só ficou mais forte, esta minha ligação com a literatura", Lara Brito

Lara Brito:
"Em minha relação com a literatura, começou desde de pequena com a ajuda e influência de minha mãe."



Minha relação com a literatura
Lara Brito


Após ver este filme, pude perceber que a literatura é importante de diversas maneiras para cada pessoa. É notório que o personagem que faz o papel do estrangeiro, tem uma forte ligação com a literatura, além dele ser ator e apaixonado por ela, ele foi salvo por ela e assim conseguiu ficar no Brasil. Em minha relação com a literatura, começou desde de pequena com a ajuda e influência de minha mãe. Ela não começou tão forte como a do personagem, mas sim um tempo depois. Quando minha mãe teve uma doença chamada câncer de mama, eu encontrei em um livro chamado ‘’ A culpa é das Estrelas’’, uma distração para esquecer tudo o que estava acontecendo em minha volta.
Depois disso comecei a ler vários tipos de gêneros literários e comecei a ter os livros, como uma forma mágica de tirar a tristeza que havia dentro de mim, assim como o personagem estrangeiro foi salvo de ir embora do Brasil, eu também fui salva para conseguir superar e enfrentar aquele momento difícil que estava acontecendo em minha vida. Ao passar dos anos só ficou mais forte, esta minha ligação com a literatura. Pude conhecer vários autores como Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, José de Alencar entre muitos outros.
Já completamente apaixonada por livros, é claro que esse sentimento influenciou e na hora de decidir qual curso eu escolheria para fazer minha faculdade, não poderia ser outro a não ser Letras. Juntei o português e literatura que foi meu amor na infância e continua sendo até hoje em minha fase adulta. Estou no 3 período de Letras/Literatura e pretendo até o final do meu curso, descobrir e aprender ainda mais sobre o mundo literário.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Texto: "A literatura como essência humana" e dois poemas de Isabela Cordeiro dos Santos

Isabela Cordeiro dos Santos:
"Não se acaba uma leitura sem que um pedacinho dela fique em você..."



A LITERATURA COMO ESSÊNCIA HUMANA, 
COM BASE NA OBRA “TEMPOS DE PAZ”

ISABELA CORDEIRO DOS SANTOS


Na obra “Tempos de paz”, o personagem Clausewitz, ex-ator polonês, se encontra na necessidade de usar todo seu talento e conhecimentos literários a fim de conseguir permissão para entrar no Brasil, pós Segunda Guerra Mundiais. Ele chega ao país como agricultor, pois acredita que, após toda a barbárie vivenciada no mundo, o teatro já não tinha sentido, nem função. Porém, ao se encontrar na missão de fazer o funcionário da alfândega, Segismundo, chorar – condição imposta para entrar no país, inicia-se um diálogo quase confessional entre os personagens, que se desenrola até uma verdadeira encenação teatral. Se apropriando do texto de “La vida es sueño”, de Calderón de la Barca, como se fosse uma memória pessoal, ele conseguiu emocionar Segismundo e entrar no Brasil.
Com cena de Clausewitz, percebemos que a arte, o teatro e, consequentemente, a literatura emocionará e fará sentido, independente do contexto sócio histórico, pois a essência humana é imutável. A literatura é a representação da alma humana: esperanças, crenças, alegrias, prazeres, dores, temores, preconceitos, indiferenças, indignações; quaisquer sentimentos que inquietem a imaginação humana. Exatamente por isso, tenho confiança em afirmar que conhecer e se apaixonar por literatura é uma jornada de compreensão de tudo que nos torna humanos. É descobrir que aquilo que admiramos em um personagem é o que nos falta, e aquilo que odiamos, muitas vezes, nos sobra.
Não saberia dizer quando, nem como, comecei a ler por prazer, mas sei que foi com a leitura de Pollyanna, de Eleanor H. Porter, que embarquei no mundo literário. Quando penso nisso, percebo que ler sobre uma garota da minha idade, com uma vida tão mais difícil e que via o mundo de forma com tanta alegria, me fez admirar o otimismo que me faltava. Nunca fui capaz de jogar o “Jogo do contente” e me pergunto se alguém já conseguiu, mas conhecer Pollyanna e todos os moradores de sua triste cidade me ensinou empatia, que as pessoas têm motivos para seus atos, mesmo os egoístas e cruéis. Essa é a habilidade mais nobre da literatura: mostrar-nos pontos de vista.
Isso se torna mais evidente ao lermos diferentes tipos de livros, de diferentes países e culturas. Um livro britânico não vai apresentará a mesma visão de mundo que um livro japonês, ou francês. Contudo, não é necessário ter lido literatura de quinze países diferentes para perceber essa variação de visões. Como dito antes, a literatura reflete o ser humano, porém esse reflexo submetido ao filtro do escritor, pela sua forma de ver o mundo. Sendo assim, ler livros de três autores, do mesmo país e mesmo período histórico, pode ser suficiente para que encontremos três visões diferentes, mesmo que semelhantes em alguns aspectos.
Assim, a literatura não e simplesmente lida, é vivida. Não se acaba uma leitura sem que um pedacinho dela fique em você, e não há por que resistir a isso. O maior, e talvez mais assustador, efeito colateral é a jornada inconsciente pelo autoconhecimento, sempre que algo incomoda e provoca, sem prévio aviso. E a melhor saída é nos deixar instigar pelas provocações e mergulhar nessa jornada, sem temores. A literatura é a maior arma contra a solidão da alma e a insensibilidade, um remédio sem contra-indicações.



Não sou o mar
Isabela Cordeiro dos Santos


Passos na areia
apagados pelo mar.
Não posso voltar,
não vejo nada.
Quem fui, quem sou
O mar também levou isso.
Espreito o caminho percorrido:
Nada.
Enfrento o caminho que sigo:
Nada.
E, assim, finalmente entendo
Não sou nada.


 Primavera da alma
Isabela Cordeiro dos Santos

O rio furioso
A pétala suave
Repousa e amansa

O mar revolto
Ao som do violino
Recua e espera

O vento gélido
Perfuma o mundo
Em brisa gentil

O pensamento confuso
Se anima e acalma
Ao som da poesia.        







Dois poemas de Flávio Pimentel, ou quando o amor faz a poesia aflorar.

Flávio Pimentel: Filósofo, "Poeta bissexto", músico e compositor.
Um poeta onírico, em constante alumbramento, num mundo em desassombro. 



Eu não quero ser o homem que você sonhava
Flávio Pimentel

Eu não quero ser o homem
Que você sonhava.
Quero ser a lava
Inflamada do vulcão
Quando você me estende a mão
Pedindo água.
Não quero o retrato
Que você amava,
Empoeirado na estante,
De um casal estátua.
Bigode, vestido,
Terno e gravata,
E um tédio emoldurando
O preto e branco sem graça.
Prefiro ser o nó na garganta
Que te aperta contra a mágoa,
O imperfeito vacilo
De que vc falava,
A dor no teu dente,
E a serpente
Que te morde e tara
Sem te deixar dormir.
Quero ser teu problema,
Teu desdentado pente,
Quero ser teu poente
E teu poema,
Este que você escreve
Pra se reconstruir
Depois de horas difíceis.
Eu quero ser o teu fim,
O perto e o longe de mim,
Teu amor e tua raiva
Na tensão do dia,
Tudo o que não caiba
Em velha fotografia,
A insônia contra a anestesia.
Prefiro ser tua sede
Do que tua poesia.


Para Bruna Rosa
Beijei lábios e dentes e olhos e garras,
mas também lágrimas, porque seu sabor enternece.
Se me desmonto pelos olhos
É porque respeito meus poentes
Assim como meus dias de sol.
Sacrifícios me trocam a pele.
Num ritual só meu, me despi de minhas armas,
depositei-as num canto inabitado do quintal
sem nenhuma prece.
Pedi licença aos deuses,
entidades, memórias
e eles me entenderam.
Deixaram-me só,
criança boquiaberta sob o céu,
num arco aviso algum faiscando.
Ventos passaram por mim como aves,
tempestades, procelas.
Saí na chuva sem camisa.
Larguei o aço.
Ninguém é de ferro.





sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Texto: "Em todos nós insopitável Literatura:do início ao fim", e outros dois poemas de João Ricardo

João Ricardo se autodefine:
    “Apenas um universitário apaixonado cuja alma “lítera” correlaciona galáxias de informações de um espaço infinito de acontecimentos da história humana.” 16/5/2018.




Em todos nós insopitável Literatura
Do início ao fim

Fundamentalmente, a literatura possui a função de provocar inquietude na mentalidade humana quanto aos seus aspectos socioculturais; emocionais; espirituais e imaginativos, desenvolvendo a capacidade crítica do indivíduo juntamente com sua criatividade no espaço em que vive, concebendo, assim, uma engrenagem retroalimentar.  

Sendo a curiosidade o cerne da inteligência, pode-se afirmar que o infinito arcabouço de possibilidades fomentadoras do intelecto advindas do processo criativo literário é indubitavelmente o assentamento consistente e correlativo nos processos de desenvolvimento individual desde a tenra idade.   

Eu vi (e vivi), por exemplo, em narrativas infanto-juvenis de cunho moralizante, como em “Fábulas de Esopo”, que o poder da trajetória da linguagem atravessa gerações, sendo objeto de fundamentação da identidade tanto quanto da percepção ética coletiva. As tiradas morais do fabulista grego supracitado inspirou autores icônicos: Heródoto; Platão; Aristófanes; entre outros.

E na literariedade contemporânea nota-se fenômenos editoriais de autoajuda, cuja vendagem retrata a procura imutável da humanidade por respostas na literatura às suas angustias existenciais, opondo-se à lógica mecanizada das necessidades de uma sociedade modernizada, eivada pela rotina labutar que, a partir da própria degeneração, busca recuperar-se através de estudo holístico.

Também amparando a premissa susodita, a obra cinematográfica “Tempos de Paz” delineia a rendição psicoemocional de um carrasco burocrata frente ao lirismo teatral prodigioso do protagonista em um contexto histórico de desumanidade global normatizada na Segunda Grande Guerra. Isto é, a arte tem o poder de fazer até um carrasco por ofício pôr-se a chorar, pois a produção literária tem a função de movimentar a miscelânea aflitiva dos sentimentos vívidos das mentes pensantes que habitam a face desta terra. 

Portanto, quando o Homem nasce, logo terá de construir-se no irrestrito universo de ideias para um dia conviver na agitada coletividade social. Todavia, assim que o corpo fenecer, haverá de recolher-se quase que tão somente às ideias, aos ideais e às lembranças construídas na conclusão da trajetória. E até os tempos atuais, não há mecanismo mais eficiente de ordenação para esta complexidade específica do que a Literatura.   

    
Referências
CARUSO, Carla. Fábula - Quem foi Esopo?. [S. l.: s. n.], [201-]. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/fabula-quem-foi-esopo.htm. Acesso em: 16 fev. 2019.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. "O fenômeno dos livros de autoajuda" é o tema do Ciência & Letras. [S. l.: s. n.], 08/06/2017. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/o-fenomeno-dos-livros-de-autoajuda-e-o-tema-do-ciencia-letras. Acesso em: 16 fev. 2019.
MACIEL, Willyans. Holismo. [S. l.: s. n.], [201-]. Disponível em: https://www.infoescola.com/filosofia/holismo/. Acesso em: 16 fev. 2019.


#publicameutexto


Aluno: João Ricardo Medeiros de Oliveira
Curso: Letras Espanhol 
Período: 5° 


João Ricardo:
"Não aceito críticas 'construtivas' de quem nunca construiu nada!"



Cárcere de Balda
João Ricardo

Pecha vinda de amigo
Pedras na mão
Telhados de vidro
Quanto vale o teu cascalho?

A eles
Minha boca só doçuras
Deles
Cada estilhaço uma amargura

Não tilinta gratidão
Perdeu-se o estender da mão
Que há pouco ofertei

Ataram-me à imperfeição
Sadismo embriagado
Desse amor pouco caprichado.



Por amor às Helenas de Manoel Carlos
João Ricardo
Quero as Helenas sem juízo de valor
E as quero com afeto acolhedor
Enterneço-me diante do brilho
Não sei se como amante ou como filho
Sequer Freud explicaria
Este Édipo perdido
Com espírito ferido
Julgado à revelia
Não serve quiromancia
Seja no passado ou no futuro
Helenas são jogo duro
Ainda que quebrem as taças
Sabem apreciar o licor
Helenas são um brinde indelével ao amor.