SONETOS DA PORTUGUESA (2011)
Sonetos Portugueses é uma colecção de 44 sonetos de amor escritos por Elizabeth Barrett Browning[1]. Os poemas foram escritos entre 1844 e 1845, no período que antecedeu o seu casamento com Robert Browning em 1846[2]. A colecção foi muito aclamada pela crítica sendo extremamente popular durante a vida da poetisa, popularidade que continua até aos dias de hoje.
Título
Inicialmente Elizabeth estava muito relutante em publicar os poemas, sentindo que eles eram demasiadamente pessoais. No entanto, o seu marido insistia em que eles eram a melhor sequência de sonetos em língua Inglesa desde o tempo de Shakespeare e pressionava a mulher para a sua publicação. De modo a proteger a privacidade do casal, Elizabeth achou melhor publicá-los como traduções de sonetos estrangeiros. Por esse motivo, a colecção foi primeiramente conhecida como “Sonetos Bósnios”, até que Robert sugeriu a Elizabeth que alterasse a proveniência imaginária dos sonetos do Bósnio para o Português, pois ela , para além de ser uma grande admiradora de Camões era afectuosamente tratada por Robert Browning de "Pequena Portuguesa"[3].
10 Sonetos da Portuguesa Musicados - Elizabeth Barrett Browning - Traduzido por Leonardo Fróes (2011) - Produzido por Erivelto Reis [Edição dedicada à memória do poeta, jornalista e tradutor Leonardo Fróes] (Projeto educacional - audiolivro - sem fins lucrativos) Sonetos da poetisa inglesa Elizabeth Barrett Browning musIcAdos com recursos de IA, visando à formação de público leitor. [Jun. 2026/Audiolivro]. Projeto Euterpe, Erato & Erivelto Reis. Idealização, Repertório e Produção: Erivelto Reis Quando o poeta, tradutor e jornalista Leonardo Fróes faleceu, no final de 2025, fiquei pensando em como homenageá-lo e ao seu trabalho através desse projeto que vinha e vem construindo repertório em Literatura Brasileira e Portuguesa. Assim, por gostar muitíssimo de sua tradução para os sonetos de Elizabeth Browning - a Portuguesa -, decidi que era preciso empreender o trabalho. A leitura de sonetos do século XIX em linguagem musical, com recursos de IA, foi desafiadora. Mas, eis que chegamos a 10 sonetos musicados e duas faixas bônus. Elizabeth Browning é uma das poetas mais influentes do mundo e sua obra permanecerá através dos tempos. Leonardo Fróes foi brilhante e sensível ao traduzir seus sonetos e conseguiu preservar a dramaticidade e o lirismo tão característicos dos sonetos e ainda oxigenar sua profundidade ao vertê-los para o português. Esse é um dos meus livros preferidos. Ganhei de presente de minha amada Gloria Regina. Um diferencial dessa edição de homenagem é que ela traz pela primeira vez no projeto de Poesia Musicada, poemas traduzidos e com uma única voz em todas as faixas. LISTA DE FAIXAS: 00:00 - Soneto 2 - “Mas só nós três neste universo infindo” 05:11 - Soneto 3 - “Desiguais somos, coração de infante!” 10:05 - Soneto 9 - “Dar o que eu posso dar pode estar certo?” 14:15 - Soneto 10 - “Porém o amor, o puro amor, é lindo,” 19:00 - Soneto 12 - “De fato, até o amor que vou louvando” 23:14 - Soneto 14 - “Se tens de amar-me de algum modo,” 27:02 - Soneto 21 - “Diz e rediz, depois diz outra vez,” 30:05 - Soneto 25 - “No coração um peso, de ano em ano,” 34:42 - Soneto 26 - “Tendo apenas visões por companhia,” 39:21 - Soneto 38 - “O beijo inicial que ele me deu” Bônus Tracks 42:21 - Soneto 10 - “Mas só nós três neste universo infindo” 47:00 - Soneto 38 - “O beijo inicial que ele me deu” Imagens criadas no Gemini e Dreamina. Ideia/Tema da identidade visual: O anacronismo de um "Disco de Vinil vitoriano" trazendo na capa a poetisa Elizabeth Browning. O nome do tradutor dos poemas aparece logo após o título. Reforça-se o convite para que as pessoas leiam a obra de Fróes, os livros que traduziu e os que escreveu, sua luta pela ecologia e, naturalmente, busquem conhecer a obra da escritora e poeta Elizabeth Barrett Browning, a "Portuguesa". A edição que deu origem a esse trabalho é da Editora Rocco (2011) e conta com belíssimo posfácio de Fróes sobre os sonetos e a escritora. Edição de áudio: Programa Audacity Produção de vídeo: Programa Canva Edição e criação de imagens: Gemini, Dreamina AI e Copilot Produção das faixas: Suno A POETA Falar sobre Elizabeth Barrett Browning (1806–1861) é entrar no coração da era vitoriana britânica, mas com um detalhe crucial: ela foi uma das mentes mais independentes, corajosas e reverenciadas de seu tempo. Enquanto a história popular muitas vezes a reduziu à figura de uma poetisa frágil resgatada por um amor romântico, a realidade de sua vida e de sua escrita revela uma mulher de força intelectual monumental e profundo engajamento político. A produção de Elizabeth Barrett Browning equilibra-se perfeitamente entre a intimidade lírica e o protesto social contundente. A Poesia Íntima: Sonetos da Portuguesa (1850) Escritos em segredo durante o período de cortejo com Robert (e batizados assim porque ele a chamava carinhosamente de "sua pequena portuguesa"). Esses 44 sonetos são uma das maiores crônicas do amor na literatura mundial. Seu impacto foi profundo: influenciou escritoras como Emily Dickinson (que mantinha um retrato de Elizabeth na parede de seu quarto) e Virginia Woolf. Elizabeth Barrett Browning provou que a sensibilidade poética e o pensamento crítico social não são excludentes, mas sim as duas faces da mesma moeda literária. O TRADUTOR Nascido no Rio de Janeiro em 1941 e faleceu em 2025, Fróes traçou um percurso que recusa o barulho das modas literárias. Sua mudança para a região serrana do Rio de Janeiro, na década de 1970, não foi um ato de fuga isolada, mas sim uma escolha estética e existencial: o enraizamento. A partir de seu cotidiano entre as árvores, as plantas e os bichos, ele construiu uma "poesia da terra" que não cai no mero passadismo, mas que investiga a matéria profunda da vida. Ao traduzir Browning (assim como fez com o ensaísta ecológico Henry David Thoreau), Leonardo Fróes agiu como um verdadeiro curador de almas afins, oferecendo aos leitores em língua portuguesa a chance de testemunhar a poesia em seu estado mais puro, íntimo e técnico.
10 Poemas selecionados por Erivelto Reis
Soneto 2
Elizabeth Barrett Browning
Mas só nós três neste universo infindo
Ouvimos a palavra que falaste:
Eu mesma e Deus e tu que a pronunciaste!
Deus respondeu... Estava me impedindo,
Ao malfadar-me as pálpebras no escuro,
De bem te ver – tal qual, se eu já morresse,
Nem o peso da morte oferecesse
Uma exclusão igual. O “não” mais duro
De todos é o de Deus, ó meu amigo!
Homens nos desunir não poderiam,
Nem o mar nos mudar, nem seu perigo;
Sobre os morros, as mãos buscar-se iriam:
E, sendo o céu entre nós dois o abrigo,
Nossas juras aos astros chegariam.
Soneto 3
Elizabeth Barrett Browning
Desiguais somos, coração de infante!
Desiguais nos costumes, nos destinos.
Nossos anjos da guarda peregrinos
Estranham-se ao passar como se avante
Suas asas se chocassem. És, e o sabes,
Um refém de rainhas em sociais
Torneios, onde os olhos brilham mais
Que os meus em pranto, e o papel que te cabe
É reger a orquestra. Então, por que ali
Da luz dos janelões lançar um olhar
A um cantor que, um cipreste contra si,
Cansa e nas trevas canta sem parar?
Em mim, o orvalho do ar – o crisma em ti.
Lugar de encontro a Morte há de cavar.
Soneto 9
Elizabeth Barrett Browning
Dar o que eu posso dar pode estar certo?
Prostrado te deixar sob o meu pranto
A ouvir dos anos o anelar que tanto
Me volta aos lábios de renúncia, perto
Dos sorrisos sem vida que me impeço,
Malgrado os rogos teus? Como receio
Estar errada! Iguais não sendo, há meio
De amados nos tornarmos? Dói, confesso,
Ver que se inclui entre os mesquinhos quem
Apenas dá isto que eu dou. Adeus!
Não sujarei de pó tal brilho nem
No teu copo vou pôr venenos meus.
Seria injusto dar-te amor também,
Se só posso te amar andando ao léu!
Soneto 10
Elizabeth Barrett Browning
Porém o amor, o puro amor, é lindo,
Merece aceitação. O fogo ardente
Queima tudo que encontra pela frente,
A mesma luz ao longe transmitindo.
O amor é fogo. E acaso se eu disser
Eu te amo, nota quão transfigurada
Em teu olhar me achei glorificada,
Cônscia dos novos raios que iam ter
Da minha face à tua. Nada é vil,
Por baixo que o amor for: a pequeneza
Do ser que o ama Deus fará gentil.
E o que ora sinto, sob esta incerteza
Disto que eu sou, por si brotou e viu
Que a obra do Amor reforça a Natureza.
Soneto 12
Elizabeth Barrett Browning
De fato, até o amor que vou louvando
E que ao subir do peito para a testa
De um rubi me coroa e põe em festa
O olhar dos homens, seu valor provando,
Até este amor, que é tudo que prezamos,
Eu não devia amar demais. Mas, dando
O exemplo, tu não estavas me ensinando,
Nos primeiros olhares que trocamos,
A amor chamar amor? Assim falar
De amor não posso como coisa minha:
Pela alma a tua me arrastou a arfar
E colocou num trono de rainha.
Se amo é por ti (humilde quero estar),
Que amo somente e a quem amo sozinha.
Soneto 14
Elizabeth Barrett Browning
Se tens de amar-me de algum modo,
Ama o amor, não mais, a meu respeito.
Não diga amar-me o olhar, o riso, o jeito
Suave de falar, ou o já pensado
Tal como eu penso e trouxe a certo dia
Um sentido de paz apetecido.
Porque em si estas coisas, meu querido,
Por elas ou por ti se mudariam.
Também não me ame se por compaixão
Ao secar minhas lágrimas. Quem tanto
Se apoia em ti talvez perca a ilusão
De amada ser, interrompendo o pranto.
Ama-me pelo amor tão só que, então,
Hás de amar-me no eterno deste enquanto.
Soneto 21
Elizabeth Barrett Browning
Diz e rediz, depois diz outra vez,
Que tu me amas. Palavra repetida
Parece pássaro a cantar? A cálida
Primavera sem ele nem talvez
Lançasse o verde em múltiplo matiz
Nas montanhas, no vale. Meu amor,
Cala a dúvida em mim, cala o torpor,
Dissipa a treva que me envolve, diz
“Eu te amo” uma vez mais. Quem vai temer
Mais uma estrela no céu rodopiando,
Mais uma flor o ano a enaltecer?
Diz “eu te amo, eu te amo” e, reiterando
Este dobre de prata, irás saber:
No silêncio da alma estás me amando?
Soneto 25
Elizabeth Barrett Browning
No coração um peso, de ano em ano,
Carreguei antes de avistar teu rosto,
Dor após dor em mim tomando o posto
Dos naturais sorrisos tão diáfanos
Como um colar de pérolas que, em turno,
Saltam num peito entregue à dança. Toda
Esperança em pesar virava à roda,
Nem Deus curava o mal, peso soturno.
Mas o árduo coração, a teu pedido,
Deixei boiar na calma do teu ser.
Ele afundou, tal qual já refundido
Na própria natureza, e veio a ter
O teu por cima: a um modo comedido
Entre estrelas e o fado a se exercer.
Soneto 26
Elizabeth Barrett Browning
Tendo apenas visões por companhia,
Não mulheres e homens, no passado,
Nelas tive parceiros delicados,
Do mais doce cantar que eu conhecia.
Logo porém seu rastro se perdeu
Na poeira do mundo e, ante o silêncio
Dos alaúdes, eu, cega em desmaio,
Nada mais vi. Até que visse o teu
Poder de ser o que eles pareciam.
O mesmo canto, o mesmo resplendor
(Santidade das águas que corriam)
Fundem-se em ti que chega vencedor
Da alma plena do quanto carecia.
Deus dá mais do que pede o sonhador.
Soneto 38
Elizabeth Barrett Browning
O beijo inicial que ele me deu
Foi só na mão com a qual agora escrevo;
E se tornou mais límpida no enlevo,
Que, lenta ao mundo, logo percebeu
A voz dos anjos. Um anel de ametista
Nela não brilharia ao meu olhar
Mais que o primeiro beijo. Ao se elevar,
O segundo, por pouco errando a testa,
Quase cai no cabelo, um prêmio extra.
Foi a crisma do amor, que uma coroa
Da mais santa doçura punha em festa.
O terceiro, na boca, ainda ressoa
Rubro, perfeito – orgulho que me resta
Ao te dizer “Amor és meu” à toa.


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