Blog para apresentação de textos e desenvolvimento de práticas relacionadas à produção, manipulação, seleção, gerenciamento e divulgação de trabalhos de confecção de textos dos alunos e alunas e/ou dos materiais, projetos e pesquisas produzidos pelo Professor Dr. Erivelto Reis, mediador, orientador e coordenador das atividades desenvolvidas no Blog, que tem um caráter experimental. Esse Blog poderá conter textos em fase de confecção, em produção parcial, em processo de revisão e/ou postados por alunos em fase de adaptação à seleção de conteúdo ou produção de textos literários.
[Edição em homenagem à Paulina Chiziane e a Manuel Rui]
(Projeto educacional - audiolivro - sem fins lucrativos)
Poemas de autores/as de países africanos em que o português é uma língua de referência histórica e cultural musicados com recursos de IA, visando à formação de público leitor. [Jul. 2026/Audiolivro].
Projeto Euterpe, Erato & Erivelto Reis.
Idealização, Repertório e Produção: Erivelto Reis
SOBRE ESSE ÁLBUM
A partir da leitura de obras individuais e de antologias, selecionei alguns poemas cujos arranjos produzi, baseados em ritmos e sonoridades de países africanos em confluência com o outros ritmos, pois nos interessa o reconhecimento e o diálogo na formação de público leitor e o uso da linguagem como ferramenta de apoio aos/às professores/as no Ensino Médio. A capa do vídeo deste volume do projeto traz o já conhecido símbolo do toca-discos. O vinil traz uma mandala afrofuturista, um mapa tecnopictórico de África, os livros, uma impressora 3D sendo utilizada por uma personagem que vai produzir um elemento que remeta à ancestralidade com recursos de tecnologia, como espaço de integração entre a natureza, a identidade negra, a leitura e o diálogo. Fica o convite para que leiam a antologia, e, principalmente os autores e autoras africanos que escreveram em Língua Portuguesa.
SOBRE A IDEIA DE "POESIA AFRODIASPÓRICA" NO TÍTULO DO ÁLBUM
Não se trata de um gênero específico de poesia, mas de uma postura diante da arte em contextos sociohistóricos a ser apresentados, problematizados e compreendidos em perspectiva decolonial. Leia-se um trecho da apresentação produzida pelo professor Petrônio Domingues, da Universidade Federal de Sergipe, para o volume dois do livro/e-book "Pensamento afrodiaspórico em perspectiva: abordagens no campo da história e literatura" (2021), organizado por Fernanda Miranda e Marcelo de Assunção:
"[...] Diáspora, portanto, é um termo que sugere redes de relações reais ou
imaginadas entre povos desarraigados cuja experiências são marcadas por diversos contatos e comunicações que incluem viagens, famílias, negócios, ideias, culturas, retóricas, sonhos, entre outros artefatos tangíveis e simbólicos. Ao conectar os grupos dispersos em e entre diferentes regiões e/ou nações, a diáspora revela sua vocação às formas transnacionais. Isto significa que ela não subverte, necessariamente, o Estado-nação, mas o heterogeneíza. Nesse sentido, sua relação com as inscrições e normas do Estado-nação e as formações identitárias nativistas é caracterizada por tensões e ambiguidades. A condição diaspórica, portanto, nomeia um entre-lugar definido por desterritorialização e reterritorialização, bem como pela tácita tensão entre a vida aqui e a memória e o anseio pelo acolá.
As pessoas que passam pela experiência diaspórica compartilham uma dupla se não múltipla consciência e perspectiva, plasmadas por um diálogo e negociação entre várias tradições e maneiras de ser, pensar e agir. Essas pessoas comungam de culturas, histórias e identidades que ressignificam constantemente. São tradutores culturais cujas conexões descentradas e multilocalizadas minam limites estáveis e fixos, que reescrevem o passado costumes em comum num processo de reelaboração contínua; um recontar que implode autenticidades e problematiza discursos vernaculares sob o selo da tradição. [...]" (Pretrônio Domingues, 2021).
Celebrar Paulina Chiziane e Manuel Rui é reverenciar a força motriz que moldou a identidade da literatura lusófona africana moderna. Com a potência de sua escrita ancestral e pioneira, Chiziane desbravou caminhos como a primeira mulher moçambicana a publicar um romance, desnudando a alma e as complexidades de seu povo com uma sensibilidade avassaladora. Ao mesmo tempo, o mestre angolano Manuel Rui, com sua ironia fina e profundidade humanista, eternizou em sua prosa as dores, as cores e as esperanças do cotidiano pós-independência, transformando a palavra em um hino de resistência. Juntos, esses dois gigantes não apenas redefiniram a narrativa de suas nações, mas também costuraram pontes indestrutíveis entre a tradição oral e a literatura universal, deixando um legado eterno que continuará a inspirar gerações.
Lista das Faixas:
00:00 Capulana - Énia Lipanga
03:32 Povo - Aguinaldo Fonseca
07:51 As minhas lágrimas - Odete Semedo
12:35 Exprimo-me pelo silêncio - Manuel Guedes dos Santos Lima
17:13 Os barcos - Yolanda Morazzo
21:42 Meu preço - José Craveirinha
25:27 Lá no Água Grande - Alda do Espírito Santo
29:24 O eco do pranto - Agnello Regalla
33:54 Três Poemas - Maria Alexandre Dáskalos
38:07 A minha pena - Marcelo da Veiga
41:57 Capulana - Énia Lipanga
45:22 Povo - Aguinaldo Fonseca
49:46 As minhas lágrimas - Odete Semedo
54:34 Os barcos - Yolanda Morazzo
59:08 A minha pena - Marcelo da Veiga
Meu abraço pra Elba Gaya, Isla Emígdio, Albert Caetano, Suelen Domingos.
NOTA:
A produção do álbum inicia-se com a pesquisa e seleção de poemas de autores reais, tanto consagrados quanto contemporâneos, mesclando textos populares a obras menos conhecidas. A partir dessa curadoria, idealizam-se as possibilidades de traduzir a poesia em canções que despertem o interesse dos estudantes, mantendo a coerência com a relevância e a mensagem de cada obra.
Vencida essa etapa, os arranjos musicais são estruturados por meio de comandos (prompts) desenvolvidos pelo produtor em uma plataforma de inteligência artificial especializada. O passo seguinte envolve a criação de toda a identidade visual do projeto, processo também realizado em softwares e plataformas específicas através de diretrizes visuais e comandos direcionados. Por fim, o vídeo é produzido com recursos simples de movimentação e transição de quadros, sendo então publicado na plataforma final.
A atribuição de créditos aos autores é garantida de forma contínua: ela permanece visível na imagem de capa ao longo de todo o vídeo, na indexação faixa a faixa na parte inferior do player e na descrição do conteúdo. Vale ressaltar que os textos selecionados são trabalhados na íntegra, sem cortes ou alterações na estrutura poética original. As únicas exceções aplicadas são contracantos, melismas e nuances de interpretação, elementos que são intrínsecos à transposição do poema para o formato de canção.
Busquem ler os autores e autoras, conhecer as obras que publicaram, ler os textos com seus/suas estudantes. Isso é parte fundamental do processo de formação de leitores/as.
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