Oração ao Verbo
Lucas Aurélio
Peço-Te, ó Verbo,
Que não me deixes só nesse mundo de possibilidades!
Peço-Te, ó Verbo,
Que o amor, conforme Tua palavra, suporte tudo!
Peço-Te, ó Verbo
Que seja apenas o começo da nossa boa nova...
Agradeço-Te, ó Verbo,
Por me escolher dentre tantos países.
Agradeço-Te, ó Verbo,
Por eu ser Santo dentre sete BILHÕES!
Agradeço-Te, ó Verbo
Por Camões e por Pessoa!...
Assim eu Te peço e já Te agradeço, ó Verbo...
Glorificada e exaltada sejas, pois
És amor e és amada, ó Língua Portuguesa.
Amém!
Quem sou eu
- Produção Textual Experimental - Prof. Dr. Erivelto Reis - ano 14
- Blog para apresentação de textos e desenvolvimento de práticas relacionadas à produção, manipulação, seleção, gerenciamento e divulgação de trabalhos de confecção de textos dos alunos e alunas e/ou dos materiais, projetos e pesquisas produzidos pelo Professor Dr. Erivelto Reis, mediador, orientador e coordenador das atividades desenvolvidas no Blog, que tem um caráter experimental. Esse Blog poderá conter textos em fase de confecção, em produção parcial, em processo de revisão e/ou postados por alunos em fase de adaptação à seleção de conteúdo ou produção de textos literários.
quinta-feira, 12 de julho de 2018
Aluno Thalisson Quaresma, do curso de Letras/Espanhol escreve um comovente texto autobiográfico.
UMA HISTÓRIA (15-4-18)
Thalisson Quaresma
Todo
homem sonha em conquistar o enredo da sua própria história, de deixar algum
legado, alguma lembrança de que viveu. Para tal façanha, ele procura viver da
melhor maneira. Viver intensamente. Procura sempre estar junto à família e aos
amigos. Mas, como pode um homem comum marcar algo ou alguém? Na sua pequenez,
este sonhador vivera sua primeira batalha.
Com
apenas três anos de idade, já havia sido submetido a quatro cirurgias, sendo a
quarta, quase fatal. Porém, Deus não queria levá-lo. Ele venceu! Sim, aos
quatro anos é a primeira vez que ele se vê livre daquele martírio. Um longo
corredor o leva até a saída daquele hospital, lá no final, seu pai está
agachado de braços abertos o esperando. Ao envolvê-lo em um apertado abraço
paternal, o chefe de família profetiza “Acabou! Essa foi a última. Aqui você
não volta mais.” Assim aconteceu, nunca mais o garoto voltou para o seu
martírio naquele lugar onde sua mãe passara tantos dias em uma cadeira, sem
dormir.
Os
dias, os meses, os anos e sua infância passaram. O garoto escuta da família de
uma namorada que tivera: - Você jamais será alguém na vida, você não terá nada!
Essa frase iria ecoar nos seus ouvidos por toda a vida, porém, ele confronta
essa maldição com a frase de um pensador, “O homem é o autor da sua própria
história!”. Aquele homem nunca teve a ambição de ser rico, ele só queria estar
sempre com a família, conquistar o máximo de amigos, ter o amor de ambos e
fazer a diferença na vida deles. Aos 19 anos ele entra para o Exército; aos 21,
com a indicação do seu irmão, ele termina o curso, se forma Cabo e junto ao seu
irmão, vai para sua terceira batalha: A Pacificação de uma favela do Rio; aos
22, ele passa em um concurso público; aos 26 começa a faculdade e aos 27
conquista a compra do seu apartamento.
Durante
todos esses anos, mesmo com suas falhas, ele procurou uma forma de estar na
casa de Deus e de fazer o possível pelos seus. Aos 28 anos, ainda que para
muitos ele seja jovem demais, aquele garoto que tanto sofrera no hospital,
segue em busca do seu sonho, o sonho de ser eternizado nos corações dos seus.
Quanto ao fato de ele “Não ser ninguém na vida”, esse homem sabe que para
aqueles que ele ama e, principalmente, para ele mesmo, essa frase nada
significa, pois o sonho de “ser o autor da sua própria história”, já fora
alcançado.
Hoje,
aquele menino tornou-se homem; hoje, ele carrega no coração todos os que ama;
hoje, ele só quer ter a certeza de que viverá o resto da vida fazendo o que
melhor sabe fazer: lutar e vencer. Que no dia em que Deus o chamar, ele seja
para sempre lembrado nos corações daqueles os quais ele tanto ama. Que sua
lembrança faça com que brote um sorriso, ainda que bem rápido, repentino,
tímido, no rosto das pessoas. Assim é o jeito, que este que vos escreve, deseja
ser eternizado. O sorriso e a alegria são os legados que quer deixar. Nada o
faria mais feliz!
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Aluna Isla Emigdio, do Curso de Letras da FEUC Port./Lit. noite escreve belo poema
Dizíamos
Isla Emigdio
Dizíamos, sobre o belo.
Sobre o que se deve tratar.
Dizíamos sobre os critérios, pudores e o relevante.
Dizíamos, sobretudo, do indigno.
Do que se deve limitar e da importância do tradicional.
Dizíamos sobre o que não é civilizado.
Dizíamos, que se deve censurar, o que incensuravél é !
Dizíamos :
- É desrespeitoso , imoral !
Quando o desrespeitado é vítima cotidiana da ação imoral dos que muita moral tem.
- Porra, na moral !
Dizíamos então, que é feio, ruim e inapropriado.
Decidimos pelo extermínio.
- Essa é a solução!
Sobre o que se deve tratar.
Dizíamos sobre os critérios, pudores e o relevante.
Dizíamos, sobretudo, do indigno.
Do que se deve limitar e da importância do tradicional.
Dizíamos sobre o que não é civilizado.
Dizíamos, que se deve censurar, o que incensuravél é !
Dizíamos :
- É desrespeitoso , imoral !
Quando o desrespeitado é vítima cotidiana da ação imoral dos que muita moral tem.
- Porra, na moral !
Dizíamos então, que é feio, ruim e inapropriado.
Decidimos pelo extermínio.
- Essa é a solução!
E no final, mais uma vez trocamos o "Dizíamos"
pelo SILÊNCIO, vazio, enlouquecedor, apático e sem liberdade.
Aluna Analice Santos do Curso de Letras FEUC - Português/Inglês Noite escreve um poema em homenagem ao Real Gabinete Português de Leitura
Presente de Portugal
Analice Santos
Imponente,
sereno, parnaso
Tu
estás ali,
Em
uma pequena rua,
Em meio
ao descaso
Sinto
a sua paz,
Que
descobri por acaso,
Sem
planejar no caminho,
Percorrido
através do trilho,
Que
fez-me chegar ao seu acervo,
Pouco
tempo,
Não
toquei, não li,
Apenas
vi, o vasto salão,
Com
vitrais, mosaicos, lustre de ferro
Que
compõe sua construção.
Senti,
por meio da claraboia,
O
esplendor e os tempos de glória
Que
o templo Manuelino,
Carregara
com sua história,
Não
devo curvar-me aos Lusitanos
Nem
tão pouco reverenciar,
No
entanto, mesmo com o passar dos anos,
Atrevo-me
a confessar,
Estava
perante a um altar,
Revestido
pela exuberância plástica,
Inspirados
na flora marítima e náutica,
A
remeter as triunfas navegações,
Marco
de grandes conquistas,
Realizadas
pelos conterrâneos de Camões,
Despeço-me
a pensar,
Povo
que cruzaste o Atlântico,
No
território dourado e botânico
Trazendo
em sua bagagem padrões culturais,
Os
quais, merecera perpetuar,
Ao
longo dos anais,
Um
recinto respeitoso,
Fundado
a fim de acolher os intelectuais,
Seu
nome?
Real
Gabinete Português,
Nos
conhecemos,
Ele,
por sua vez,
Vivo
e conservado,
Eu,
admirada
Pelo
sacrário tombado,
Onde
o cânone faz sua morada
Um
monumento tão representativo,
De
valores literário e moral,
Com
alma poética, dedicado
Ao
povo de Portugal.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
ARTIGO: LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO - PROF. PÓS-DOUTOR ERNANI TERRA
Revista Metalinguagens, v.5, n.1, p. 13-25, Ernani Terra.
Envio: Janeiro de 2018 Aceite: Fevereiro de 2018
Baixe o artigo pra ler e estudar:
http://ojs.ifsp.edu.br/index.php/metalinguagens/article/view/764/206
DESTACAMOS:
- 1. "Quando se lê um texto literário, deve-se estar atento para o fato de as figuras recobrirem temas. Por exemplo: num texto, a palavra concreta ilha, pode recobrir o tema da solidão, do isolamento, do refúgio. Uma figura como pássaro pode recobrir o tema da liberdade. "
- 2. "Enunciador e enunciatário não são elementos do texto, mas da comunicação. O elemento do texto que conta os fatos é denominado narrador. Trata-se de um delegado do enunciador, cuja função é narrar. Como a linguagem é intersubjetiva, o narrador dirige-se sempre a um narratário, que pode estar ou não explicitado no texto. No caso de não estar explicitado, o narratário se identifica com o leitor virtual, oculto na narrativa."
- 3. "Por que obras como Ilíada, A divina comédia, Hamlet, Dom Quixote, Os lusíadas, Dom Casmurro, Moby Dick, Grande sertão: veredas são consideradas literárias e O alquimista, de Paulo Coelho, O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, e as diversas obras de J. K. Rowling com o personagem Harry Potter não são? "
- 4. "Obras que aparecem na lista das mais vendidas não são consideradas Literatura (com L maiúsculo) por muita gente, sendo consideradas como produto da indústria cultural e de caráter alienante e chamadas de paraliteratura, que é o termo utilizado para designar as formas de literatura não canônicas, isto é, aquelas não legitimadas institucionalmente. Nessa categoria estão incluídas as obras de autoajuda, literatura de cordel, literatura policial etc. Por outro lado, é importante estar atento para o fato de que uma obra não legitimada como literária nos dias de hoje poderá vir a sê-lo no futuro. "
LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO
Ernani Terra
(Pós-doutor em Análise do Discurso (UPM-SP); Doutor em Língua Portuguesa (PUC/SP); Membro do Grupo
de Pesquisas Semióticas da USP (GES- USP/SP). Endereço eletrônico: ernani@uol.com.br)
THE READING OF LITERARY TEXTS
RESUMO: Apresentam-se subsídios teóricos para a leitura de textos literários com fundamento na
Semiótica discursiva, especialmente como essa disciplina concebe o texto. São apresentados e
discutidos os conceitos de leitura, texto e literatura. A leitura é apresentada como construção de
sentido a partir da interação de enunciador e enunciatário, mediada pelo texto, entendido como um
todo de sentido e como objeto de comunicação entre sujeitos e resultante da superposição de dois
planos interdependentes, uma expressão, de ordem sensorial e concreta, e um conteúdo, de ordem
cognitiva e abstrata. Para conceituar literatura, procura-se ir além de uma avaliação subjetiva,
apresentando-a apenas sob o viés estético, na medida em que se enfatiza o seu caráter institucional.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura. Leitura. Texto. Semiótica.
ABSTRACT: This article presents the theoretical background for the reading of literary texts by
relying on a discursive-semiotic approach, especially on how French Discursive Semiotics understands
the text itself. The concepts of reading, text, and literature are presented and discussed. Reading is
presented as the meaning making that occurs from the interaction between the enunciator and the
enunciatee, mediated by the text. The latter is understood as a whole of meaning and the object of the
communication between subjects, and the result of an overlap of two interdependent spheres: an
expression of sensorial and concrete matter, and the content, of cognitive and abstract matter. In order
to conceptualize literature, it has been aimed to go beyond subjective assessment, by presenting it
from an esthetic perspective only, to the extent that its institutional feature is emphasized.
KEYWORDS: Literature. Reading. Text. Semiotics.
INTRODUÇÃO
Este artigo apresenta considerações a respeito da leitura literária, particularmente em
situações de ensino / aprendizagem. A opção por tratar da leitura literária deveu-se, sobretudo,
ao fato de a leitura de textos pertencentes ao discurso literário poder ser considerada modelar.
Além disso, a leitura desse tipo de textos contribui não só para a formação de leitores mais
proficientes, mas também para o favorecimento de seu desenvolvimento cultural. Para falar de
leitura do texto literário, é necessário antes de mais nada que se esclareça em que sentidos se empregam os termos leitura, texto e literário, uma vez que essas palavras adquirem sentidos
diferentes dependendo da perspectiva teórica que se adote.
LEITURA
A palavra leitura, embora seja um substantivo, nomeia um processo: o ato de ler, ou o
resultado de um processo, a leitura que se fez de um livro, de um conto, de uma notícia. Por se
referir a processo, temos um agente humano. Leitura implica, portanto, ação humana; esta,
pois, está no domínio da cultura e não da natureza, portanto é algo que se aprende.
Ler é construir sentido, por meio de um processo interativo entre autor e leitor. O texto
é o “local” em que autor e leitor interagem. O autor, ao produzir seu texto, tinha em mente um
sentido; o leitor, ao lê-lo, vai (re)construir o sentido a partir de seus conhecimentos prévios e
das pistas que o autor deixou espalhadas no texto. O sentido, portanto, não está no texto, mas
é uma (re)construção do leitor na interação, por isso leitores diferentes construirão sentidos
diferentes para um mesmo texto. Se o sentido é uma construção do leitor, qualquer sentido
que se atribua ao texto é válido? Evidentemente que não. O texto comporta vários sentidos,
mas não qualquer sentido, pois é preciso que o sentido que se constrói na leitura esteja
autorizado pelo texto.
Se ler é construir sentido, a leitura pode ser vista em sentido amplo: a leitura de uma
tela, a leitura de uma partida de futebol, a leitura da situação política e econômica do país.
Pegue esse último exemplo: “leitores” de ideologias diferentes, fazem leituras opostas da atual
situação política do país.
TEXTO
Há tantas definições de texto quantas forem as correntes teóricas em que se
fundamente. O mesmo ocorre com o conceito de discurso. Para a Semiótica discursiva (ou de
linha francesa), o texto é visto sob dois aspectos: uma unidade, que constitui um todo de
sentido, e um objeto de comunicação entre sujeitos. Como unidade de comunicação,
produzida por sujeitos para circular entre sujeitos, o texto deve ser visto como um produto
cultural inserido numa determinada sociedade e, portanto, determinado pelas crenças,
ideologias e valores dessa sociedade. Os textos literários (poemas, romances, contos etc.) também devem ser entendidos como unidade de comunicação entre sujeitos e não apenas
como expressão estética.
Ainda com fundamento na Semiótica de linha francesa, o texto resulta da superposição
de dois planos interdependentes, a expressão e o conteúdo. O conteúdo corresponde ao
sentido do texto, é de ordem cognitiva, portanto. A expressão é de ordem material, sensorial,
ou seja, é percebida pelos sentidos. A expressão pode ser representada por qualquer sistema de
signos, cores, formas, sons, palavras... Os textos literários têm por expressão a linguagem
verbal, oral ou escrita. Expressão e conteúdo se pressupõem, como verso e reverso de uma
folha de papel, um não existe sem outro e são separados meramente por finalidades didáticas.
TEXTOS TEMÁTICOS E FIGURATIVOS
Há tradicionalmente uma classificação das palavras da língua em concretas e abstratas.
Isso costuma ser estudado nas aulas de gramática, quando se estuda o substantivo e sua
classificação. Usa-se o termo concreto para nomear os seres que têm existência no mundo
natural (pedra, homem, árvore, rio etc.), ou no mundo imaginado (androide, fada, fantasma,
ogro etc.) e reserva-se o termo abstrato para se referir a conceitos, ideias (amor, ódio, inveja,
raiva etc.).
A distinção entre palavras concretas e abstratas pode ser aplicada a outras classes,
além dos substantivos. Assim, têm-se verbos concretos como lavar, regar, polir, pintar etc. e
verbos abstratos como imaginar, sofrer, meditar etc. O mesmo pode ser aplicado a adjetivos,
que podem ser concretos como verde, amarelo, quente, frio etc., ou abstratos como
decepcionado, arrependido, angustiado etc.
Feita essa distinção, pode-se dizer que temas são palavras abstratas com as quais
exprimimos conceitos que não têm um referente no mundo natural ou imaginado. Figuras são
palavras concretas que têm um referente no mundo natural ou imaginado. Os temas são de
ordem cognitiva; as figuras são de ordem sensorial. As figuras representam o mundo, os temas
o organizam.
Dependendo da dominância de temas ou de figuras nos textos, estes podem
ser temáticos ou figurativos, respectivamente. É preciso deixar claro que
essa classificação está ligada à dominância desses elementos no texto, e não
simplesmente à presença deles. Todo texto tem um tema, que pode estar ou não recoberto por figuras. Melhor seria dizer que há textos figurativos
(aqueles em que predominam as figuras) e os de figurativização esparsa, ou
seja, há figuras, mas elas não são dominantes. (TERRA; PACHECO, 2017,
p. 74).
Como exemplo de textos figurativos, podemos citar os textos literários; como exemplo
de textos temáticos (ou de figurativização esparsa), editoriais e textos científicos.
Um outro
bom exemplo para se perceber a diferença entre temas e figuras são os ditados populares e as
fábulas.
Os ditados populares são frases curtas com palavras concretas (figuras) que sintetizam
uma ideia ou uma forma de conduta social ou moral (um tema).
Como se sabe, a fábula é um gênero de texto que apresenta duas partes, a fábula
propriamente dita (a história narrada) e a moralidade. A primeira parte é um texto figurativo,
pois há o predomínio de palavras concretas que dão sensorialidade ao texto (raposa, uvas,
fome, faminta, esfomeada, subir, lobo, cordeiro, rio, água etc.). A moralidade é temática; pois,
por meio de palavras abstratas (arrogância, orgulho, inveja, mentira, violência etc.),
transmite-se o tema diretamente, sem revestimento figurativo.
Quando se lê um texto literário, deve-se estar atento para o fato de as figuras
recobrirem temas. Por exemplo: num texto, a palavra concreta ilha, pode recobrir o tema da
solidão, do isolamento, do refúgio. Uma figura como pássaro pode recobrir o tema da
liberdade. (1) Uma sequência de figuras como beijo, carícias, afagar, despir-se pode revestir
temas com sensualidade ou erotismo.
No conto Uma galinha, de Clarice Lispector, há a história de uma galinha que ia ser
morta para servir de almoço à família. No momento em que ia ser capturada, a galinha foge e
bota um ovo, o que faz com que a família desista da ideia de sacrificá-la. Essa é a história. As
figuras presentes no texto levarão a ler o conto não como a história de uma galinha.
Destacam-se algumas dessas figuras: canto da cozinha, nascida para a maternidade, velha
mãe, jovem parturiente, rainha da casa, deu à luz. Todas encobrem um mesmo tema, o da
maternidade, referente, portanto, à mulher. É disso que o conto fala.
Tanto os temas quanto as figuras se encadeiam nos textos dando a eles continuidade,
ou seja, coerência, formando percursos temáticos e figurativos. Sobre isso Diana Luz Pessoa
de Barros (2003, p. 71) destaca que “os temas espalham-se pelo texto e são recobertos pelas
figuras. A reiteração dos temas e a recorrência das figuras no discurso denominam-se isotopia.
A isotopia assegura, graças à ideia de recorrência, a linha sintagmática do discurso e sua
coerência semântica”.
A ENUNCIAÇÃO
O texto é produto da enunciação, que é para, Benveniste, a instância que permite a
conversão da língua, sistema de natureza social e abstrato, em fala ou discurso, ato concreto e
individual.
O substantivo enunciação provém de enunciar, que significa dizer; portanto
enunciação é o ato de dizer. Aquilo que é dito denomina-se enunciado. A enunciação é sempre
pressuposta pelo enunciado. Se há um enunciado como o homem é mortal, está pressuposto
que há um sujeito que disse o homem é mortal. Esse sujeito da enunciação se desdobra em
dois: um enunciador, aquele que diz, e um enunciatário, aquele para quem se diz; pois a
linguagem é intersubjetiva, isto é, ela estabelece uma relação comunicativa entre sujeitos.
Enunciador e enunciatário não são elementos do texto, mas da comunicação. O
elemento do texto que conta os fatos é denominado narrador. Trata-se de um delegado do
enunciador, cuja função é narrar. Como a linguagem é intersubjetiva, o narrador dirige-se
sempre a um narratário, que pode estar ou não explicitado no texto. No caso de não estar
explicitado, o narratário se identifica com o leitor virtual, oculto na narrativa. (2)
Os textos podem apresentar ou não marcas linguísticas do narrador (pronomes,
adjetivos avaliativos, advérbios etc.). Os que apresentam as marcas do narrador são, portanto,
simulacros da enunciação. Por outro lado, nos textos em que essas marcas estão ausentes, o
sentido é de um afastamento da instância da enunciação.
No enunciado O homem é mortal, não há nenhuma marca linguística que indique
quem diz O homem é mortal, é como o enunciado se dissesse por si mesmo. Nele, foram
apagadas as marcas linguísticas da enunciação no enunciado, o que confere efeito de sentido
de objetividade. Esse apagamento das marcas da enunciação no enunciado é característico do
discurso científico.
No enunciado Eu digo que o homem é mortal, manteve-se o conteúdo informacional o
homem é mortal, mas agora o enunciado traz as marcas linguísticas que identificam aquele
que fala, o pronome e o verbo na primeira pessoa do singular (eu digo), o que confere um
efeito de sentido de subjetividade. Nesse caso, tenta-se reproduzir a enunciação, ou seja, trata-se
de um simulacro da enunciação.
O que se está falando corresponde àquilo que se estuda como modos de narrar: a
narração em 1a
. pessoa e a narração em 3a
. pessoa, cuja escolha por uma ou outra está ligada a
estratégias discursivas diferentes e, portanto, acarretará efeitos de sentidos diferentes. Na
narração em 1a
. pessoa, passa-se o efeito de sentido de subjetividade; na narração em 3a
.
pessoa, o de objetividade.
Apresentam-se, a seguir, dois trechos de contos de Machado de Assis, o primeiro
narrado em 3a
. pessoa e o segundo em 1a
. para que se observem os efeitos de sentido de
objetividade e de subjetividade, respectivamente.
A cartomante
Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha
a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço
Camilo, numa sexta-feira de 1869, quando este ria dela, por ter ido na
véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras
palavras.
(ASSIS, 1962a, p. 477)
No fragmento, não há nenhuma marca linguística do narrador. É como se o conto
narrasse a si próprio. Há um afastamento da instância da enunciação, o que confere um
sentido de objetividade.
Missa do galo
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos
anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado
com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu
iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que
fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda
mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de
Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios.
(ASSIS, 1962b, p. 605-606)
Trata-se de uma narração em 1a
. pessoa. As marcas linguísticas da enunciação estão
espalhadas pelo texto e são representadas por verbos (pude entender, preferi etc.) e pelo
pronome de 1a
. pessoa (eu). Tenta-se reproduzir a enunciação, por isso que se diz que os
discursos em 1a
. pessoa são simulacros da enunciação.
Em ambos os exemplos, o narrador dirige-se a um narratário que não está explicitado
no texto, ao contrário do trecho a seguir em que há explicitação do narratário.
A máquina extraviada
Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso
lhe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui
uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que
ela chegou – não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas –
quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha
brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos.
(VEIGA, 2001, p. 229)
Trata-se do início de um conto fantástico, A máquina extraviada, de José J. Veiga. O
narrador constitui um você, a quem se dirige e depois é identificado pelo substantivo
compadre. Trata-se de uma narrativa em 1a
. pessoa, como se pode observar pelos pronomes e
formas verbais (não me lembro, não sou etc.).
Nesse trecho, além das marcas linguísticas que identificam narrador e narratário, há as
que identificam o lugar e o tempo da enunciação. “Fique o compadre sabendo que agora
temos aqui uma máquina imponente...”, expressas pelos advérbios agora e aqui.
Concluindo:
A enunciação é o processo pelo qual os falantes se apropriam da língua e a
convertem em atos de fala, os enunciados. É pela enunciação que a língua se torna
discurso (DISCURSIVIZAÇÃO).
Pela enunciação instala-se o sujeito no enunciado. Ao instalar-se o sujeito, instalam-se
também um tempo e um lugar.
A enunciação é a instância do eu – aqui – agora.
LITERÁRIO
Quando se quer saber o significado de uma palavra, costuma-se recorrer ao dicionário.
Uma rápida consulta ao verbete mostra que essa palavra designa coisas bem diversas. O
Houaiss e o Aulete registram nove acepções para essa palavra; o Aurélio, dez. Interessa aqui
tentar conceituar literatura como arte literária, ou seja, como um uso especial da linguagem
como meio de expressão.
Por que obras como Ilíada, A divina comédia, Hamlet, Dom Quixote, Os lusíadas,
Dom Casmurro, Moby Dick, Grande sertão: veredas são consideradas literárias e O
alquimista, de Paulo Coelho, O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, e as diversas obras de J.
K. Rowling com o personagem Harry Potter não são? (3)
Para tentar responder a essa questão, apresentam-se as listas a seguir. A primeira
apresenta os livros de ficção mais vendidos na semana, segundo dados do jornal Folha de S.
Paulo de 5 de agosto de 2017. A segunda contém as obras exigidas como leitura obrigatória
para o vestibular de 2018 da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp), duas das principais instituições de ensino do país.
À pergunta Em qual das listas encontram-se obras que pertencem à literatura, a
resposta esperada é que se apontassem as que constam do Quadro 3, porque: a) fazem parte da
lista de livros obrigatórios do vestibular de duas importantes universidades brasileiras; b)
ensina-se na escola que os escritores (e as obras) da segunda lista pertencem à literatura de língua portuguesa – aqui a palavra literatura está sendo empregada no sentido de "conjunto de
trabalhos literários de um país".
Quanto à primeira lista, de início, chama-nos a atenção o fato de apenas uma única
obra ser de autor nacional, o que revela que autores nacionais de ficção estão menos
conectados com o público que os estrangeiros.
Sem entrar no mérito das obras que constam na lista dos livros mais vendidos, é
inegável que o consumo de obras de ficção tem forte componente mercadológico, vale dizer,
as obras consumidas são aquelas sujeitas a uma forte ação de marketing, em que o nome do
autor tem peso significativo. Obras que aparecem na lista das mais vendidas não são
consideradas Literatura (com L maiúsculo) por muita gente, sendo consideradas como
produto da indústria cultural e de caráter alienante e chamadas de paraliteratura, que é o
termo utilizado para designar as formas de literatura não canônicas, isto é, aquelas não
legitimadas institucionalmente. Nessa categoria estão incluídas as obras de autoajuda,
literatura de cordel, literatura policial etc.
Por outro lado, é importante estar atento para o fato de que uma obra não legitimada
como literária nos dias de hoje poderá vir a sê-lo no futuro. (4) Acrescente-se ainda que há
literatura policial de excelente qualidade – como exemplo, podem-se citar autores como Edgar
Allan Poe, Raymond Chandler, Dashiell Hammett e, no Brasil, Rubem Fonseca e Patrícia
Melo. A propósito, é bom refletirmos sobre as palavras de Márcia Abreu.
Ao tratar de literatura e de valor estético, estamos em terreno movediço e
variável e não em terras firmes e estáveis. O que se considera literatura hoje
não é o que se considerava no século XVIII; o que se considera uma história
bem narrada numa tribo africana não é o que se considera bem narrado em
Paris; o enredo que emociona um jovem de 15 anos não é o que traz lágrimas
a um professor de 60 anos; o que um crítico literário carioca identifica como
um sofisticado uso de linguagem não é compreendido por um nordestino
analfabeto. O problema é que o parisiense, o professor, o crítico literário, o
homem maduro têm mais prestígio social que o africano iletrado, o jovem, o
lavrador. Por isso conseguiram que seu modo de ler, sua apreciação estética,
sua forma de se emocionar, seus textos preferidos fossem vistos como o
único (ou o correto) modo de ler e sentir. (ABREU, 2006, p. 58).
Como se pode observar pelas palavras de Márcia Abreu, o conceito de literatura não só
se altera no tempo, mas também de cultura para cultura e de pessoa para pessoa, mas o que
prevalece é que algumas pessoas e culturas têm mais prestígio que outras e, por isso, são
fontes legitimadoras para categorizar uma obra como literária.
Salienta-se que a leitura de obras não prestigiadas (aquelas que a crítica literária não
considera “Literatura”) é a porta de entrada para a leitura daquilo que se convencionou
chamar de grande literatura, por isso não se pode agir preconceituosamente em relação à
leitura. Se a pessoa gosta de ler romances policiais ou "água com açúcar", a escola, em vez de
censurar essas leituras, deve usá-las como andaime para que o estudante venha a ter contato
com as formas prestigiadas de literatura. Nesse sentido, a educação literária guarda relação
com a educação linguística. Nesta, como sabemos, não se deve estigmatizar alguém pelo fato
de usar uma variedade linguística não prestigiada. Ao contrário, a escola deve, a partir da
variedade que ele conhece e usa, fazê-lo competente na variedade de prestígio. Na educação
literária, deve ocorrer a mesma coisa. Deve-se respeitar o gosto do leitor, para levá-lo a entrar
em contato com autores e obras prestigiados institucionalmente. Nesse sentido, vale observar
o que registram os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN):
o gostar ou não de determinada obra de arte ou de um autor exige antes um
preparo para o aprender a gostar. Conhecer e analisar as perspectivas
autorizadas seria um começo para a construção das escolhas individuais
(Brasil, 2000, p. 9).
Conceituar literatura não é tarefa fácil, já que com um mesmo conceito se pretende
cobrir 25 séculos de produções diferentes, elaboradas em contextos histórico-culturais
bastante diversos, isto é, um mesmo conceito deve ser aplicado a obras tão diferentes como
Ilíada, de Homero, A divina comédia, de Dante, Hamlet, de Shakespeare, Decameron, de
Boccaccio, os sonetos de Camões, os romances de Alencar e de Machado, Ulisses, de Joyce,
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Por outro lado, o sistema literário é aberto e está
em constante renovação, rompendo com modelos, criando novos gêneros e novas linguagens.
Para se classificar um texto como literário, levam-se em conta diversos fatores (o
gênero, a linguagem utilizada, a função estética, o caráter ficcional), mas um tem peso determinante e é de caráter pragmático: o reconhecimento por instâncias legitimadoras. E que
instâncias são essas? São basicamente a universidade, a crítica e a escola.
Em síntese: classificamos uma obra como literária porque alguma instância, antes de
mais nada, legitimou-a como literatura. Isso significa que a literariedade, isto é, o que faz de
uma obra (um romance, um poema, um conto) literatura se constitui em um componente
exterior à própria obra.
CONCLUSÃO
Neste artigo, procurou-se apresentar subsídios teóricos para o exercício da leitura
literária. O percurso percorrido foi, antes de mais nada, fundamentar em sólida básica teórica
os conceitos de leitura, texto e literatura, já que diversas correntes teóricas, os conceituam de
maneira diversa. Embora o aprendizado da leitura, particularmente a literária, decorra de uma
prática, o conhecimento teórico pode favorecer o desempenho dessa prática, na medida em
que a performance pressupõe uma competência, ou em termos semióticos, para querer ou
dever fazer algo, antes de mais nada é preciso adquirir o saber e poder fazer.
REFERÊNCIAS
ABREU, Márcia. Cultura letrada: literatura e leitura. São Paulo: Unesp, 2006.
ASSIS, Machado de. A cartomante. In: _____. Obra completa. Vol. 2. Rio de Janeiro: Editora
José Aguilar, 1962a
, p. 477-483.
ASSIS, Machado de. Missa do galo. In: _____. Obra completa. Vol. 2. Rio de Janeiro: Editora
José Aguilar, 1962b, 605-611.
BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. 4. ed. São Paulo: Ática, 2003.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros
Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Parte II – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
Brasília, DF, 2000.
LISPECTOR, Clarice. Uma galinha. In: _____. Todos os contos. Rio de Janeiro: Rocco, 2016.
p. 156-158.
TERRA, Ernani; PACHECO, Jessyca. O conto na sala de aula. Curitiba: Editora
InterSaberes, 2017.
VEIGA, J. J. A máquina extraviada. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores contos
brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 229-232.
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sexta-feira, 1 de junho de 2018
Aluno Michel do Carmo do 1º período de Português/Inglês produz final alternativo para o texto de Lygia Fagundes Telles
Final alternativo de Venha ver o Pôr-do-sol
(Por Michel do Carmo)
Ao chegar à pensão em que morava
de aluguel, Ricardo não parou de pensar um minuto sequer em Raquel, a amada de
sua juventude. Lembrou-se dos bons momentos que passaram juntos, das aventuras,
do período de intensa paixão. Repentinamente, foi tomado de um grande remorso
por ter abandonado-a naquela catacumba sombria e abandonada. Já era noite, a
ocasião era inoportuna para regressar ao local onde deixara sucumbir o grande
amor da sua adolescência.
Quando o relógio marcava cinco
horas da manhã, Ricardo saltou da cama, onde não conseguiu pregar os olhos,
pensando na noite de horror, medo e frio que Raquel enfrentara, como
consequência de sua vingança e ato de loucura. Saiu da pensão às pressas, sendo
observado pela senhora que ele chamava de Medusa, a dona do estabelecimento,
que nada falou, apenas fitou-lhe os olhos, com um ar de curiosidade, espanto e
indagação.
Raquel, por sua vez, também nada
dormira. Entre choros e lamentações, passou a noite horrenda acordada, com
receio de olhar até mesmo para o lado, temendo deparar-se com uma assombração.
Quando aproximava-se a alvorada, irmã do amanhã, uma fresta fresca de sol
invadia o cubículo da catacumba, iluminando e trazendo um pouco de esperança.
-Ah! Louco varrido, desgraçado,
miserável! Quis vingar-se pelo fato de ter sido preterido por mim. É assim que
esse doido quer provar-me seu eterno amor, como sempre me dizia? - indagava
Raquel.
Ricardo então chega ao local do
seu crime perfeito. A tentativa frustrada de acabar com a vida daquela que um
dia o abandonou, fora então jogada por terra. Raquel ouve passos, sente a
atmosfera favorável, como quem nunca deixou de acreditar que poderia se
reverter aquela constrangedora situação. Totalmente envergonhado, Ricardo
adentra o jazigo, desce as escadas.
- Ricardo, seu louco! Tira-me
daqui! Perdeu o juízo, seu moleque!
- Voltei Raquel! Esse abandono,
de apenas algumas horas, era pra te fazer entender o que senti nesses anos em
que fui abandonado por ti.
- Como assim, Ricardo?
- Pois é, Raquel! Ser esquecido e
preterido por quem se ama é uma das dores mais angustiantes que alguém pode
sentir. Você sentiu a dor do abandono, do desprezo, da angústia, do medo e da
solidão? Então, Foi exatamente assim que me senti, todos esses anos.
Os dois saem daquele cemitério
com o coração totalmente dilacerado, cada um à sua maneira. Não trocam mais uma
palavra sequer. Um silêncio ensurdecedor toma conta daquele lugar. Ao descer
aquela ladeira, Raquel toma o primeiro táxi que aparece na estrada e Ricardo
toma o seu rumo à pé. Ali, ele finalmente decide seguir a sua vida, na estrada
do sofrer, entendendo que era chegado o fim daquele conto de fadas. Acabou-se a
ilusão. Já não havia mais como seguir os passos daquela que escolheu viver para
sempre longe da sua paixonite, dos tempos áureos da juventude. Acabou.
Créditos
Michel do
Carmo
Estudante
de Letras, do 1º período.
Além de
futuro educador, é também cantor, compositor e poeta.
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Aluna Renata Tavares do 7º Período manhã do Curso de Letras/Literaturas das FIC/RJ escreve um lindo poema.
CAFÉ AMARGO
Renata Tavares
Renata Tavares
O que o mundo quer?
Café
Com açúcar ou sem?
Adoçante diet
Bala perdida
Criança desnutrida
Gente pelada
Gente irritada
Gente estagnada
Gente sem nada
O que o mundo quer?
Fazer sucesso virtual
Não trabalhar
Não estudar
Só relaxar
Postar ilusão
Brigar pela razão
E o compartilhar do pão?
Wi-Fi?
Duas cidades foram destruídas
E as guerras sem medidas?
Violência...
O que será de nossas vidas?
Café?
Com açúcar ou sem?
Café amargo
Não gosto
Não tem escolha
Bebe logo
Café
Com açúcar ou sem?
Adoçante diet
Bala perdida
Criança desnutrida
Gente pelada
Gente irritada
Gente estagnada
Gente sem nada
O que o mundo quer?
Fazer sucesso virtual
Não trabalhar
Não estudar
Só relaxar
Postar ilusão
Brigar pela razão
E o compartilhar do pão?
Wi-Fi?
Duas cidades foram destruídas
E as guerras sem medidas?
Violência...
O que será de nossas vidas?
Café?
Com açúcar ou sem?
Café amargo
Não gosto
Não tem escolha
Bebe logo
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